Criamos esse espaço para esclarecer as principais dúvidas das nossas pacientes sobre determinados assuntos. Confira:

O HPV (papiloma vírus humano) é um vírus que atinge a pele e as mucosas, e sua transmissão acontece pelo contato direto, por isso pode ser considerado uma doença sexualmente transmissível. Esse vírus pode causar verrugas e lesões precursoras de câncer (como o câncer de garganta, colo de útero ou ânus).

Diferente de outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), a transmissão do HPV não depende de troca de fluidos, só do contato da pele do pênis com a vagina. O uso da camisinha é uma das formas de proteção contra esse vírus, e deve ser usada também durante o sexo anal ou oral. Outras formas de transmissão, muito mais raras, ocorrem pelo contato com verrugas de pele, compartilhamento de roupas íntimas ou toalhas, e ainda existe a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o feto, que pode ocorrer durante o parto.

O tratamento contra esse vírus pode ser feito com o uso de medicamentos ou cirurgia, dependendo da necessidade do paciente. O objetivo do tratamento não é eliminar o HPV, mas sim controlar os sintomas e eliminar as lesões na pele.

A vacina contra HPV é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a meninos, de 12 a 13 anos, e meninas, de 9 a 13. O objetivo é proteger as crianças antes do início da vida sexual, isto é, antes de serem expostas ao vírus. Adolescentes já contaminados também se beneficiam com a vacina, já que provavelmente não se infectaram com todos os subtipos do vírus, além de também aumentar a resistência diante dos vírus com que já tenha tido contato. Também têm direito à imunização portadores do vírus HIV, de 9 a 26 anos, ou pessoas com câncer em tratamento de quimioterapia e radioterapia, além de quem já foi submetido a algum transplante de órgão.

Essa vacina não previne só o HPV, mas também o câncer do colo do útero, já que o HPV é o responsável por 97% das neoplasias cervicais. É importante salientar que a vacina não é indicada em casos de gravidez, febre ou doença aguda, redução do número de plaquetas e alergia aos componentes da vacina.

A colpocitologia oncótica, também conhecida como exame preventivo ou Papanicolau, é realizada para prevenir o câncer do colo do útero. O exame é indolor, simples e rápido, podendo causar, no máximo, um pequeno desconforto. Toda mulher que tem uma vida sexual ativa precisa realizar o Papanicolau anualmente.

O exame é feito a partir da introdução de um instrumento chamado espéculo vaginal (conhecido como bico de pato) para coletar material para análise. O médico responsável realiza uma pequena escamação da superfície externa e interna do colo do útero e coloca as células em uma lâmina para análise em laboratório especializado em citopatologia.

Para realizar o exame de forma correta, nas 48 horas que antecedem o Papanicolau, a paciente não pode ter relações sexuais, precisa evitar o uso de duchas, anticoncepcionais locais e medicamentos vaginais. Também é importante que ela não esteja menstruada.

A colposcopia é um exame realizado para avaliar a vulva, o colo do útero e a vagina, de maneira detalhada. O médico utiliza um colposcópio, uma espécie de binóculo, para iluminar e ampliar a visão da região.

Esse exame costuma ser solicitado quando existe a necessidade de avaliar de forma mais detalhada o aparelho genital (normalmente quando o Papanicolau apresenta alterações sugestivas de lesões pré-malignas ou quando o médico identifica lesões suspeitas na mucosa da vagina ou do colo do útero).

A colposcopia pode ser realizada para detectar e avaliar verrugas genitais no colo do útero (causadas, normalmente, pelo vírus HPV), pólipos benignos, cervicite (inflamação do colo do útero), sangramento e dor pélvica.

O neoplasia intraepitelial cervical (NIC) é o desenvolvimento de células anormais na parte estreita do útero de uma mulher. O câncer do colo do útero é uma doença crônica que pode acontecer a partir de mudanças intraepiteliais e que podem se transformar em um processo invasor. As lesões cervicais precursoras apresentam-se em graus evolutivos e podem ser classificadas como neoplasia intraepitelial cervical (NIC) de graus I, II e III.

Quando as lesões ocorrem nas camadas mais basais do epitélio estratificado, estamos diante de uma neoplasia intraepitelial cervical grau I (NIC I), baixo grau, quando as anormalidades do epitélio ocorrem no 1/3 proximal da membrana. Se essa desordenação avança 2/3 proximais da membrana, estamos diante de uma neoplasia intraepitelial cervical grau II (NIC II), alto grau. Já o neoplasia intraepitelial cervical grau III (NIC III), alto grau, acontece quando o problema é observado em todas as camadas, sem romper a membrana basal.

Dependendo da necessidade de cada caso, o tratamento pode ser feito com cirurgia de alta frequência, conização com eletrodo-agulha, conização cirúrgica, reconização, traquelectomia, histerectomia por via abdominal ou histerectomia vaginal.

A conização do colo do útero é um procedimento cirúrgico no qual um pedaço em formato de cone é retirado do órgão para a realização de uma biópsia. Daí também ser conhecida como biópsia em cone. A análise do tecido indicará se o tumor foi removido ou se outros tipos de tratamento são necessários para prevenir novas fontes de câncer. Quando feita através da técnica CAF, a área doente é retirada com o mínimo de dano ao órgão.

Na CAF, o profissional experiente irá verificar as características da lesão, aplicar anestesia local da região e, em alguns minutos, retira a região doente com um dispositivo conhecido como “alça”. Este dispositivo é um eletrodo que conduz energia elétrica de baixa voltagem e alta frequência. Assim, é possível conseguir um corte preciso do tecido. Após a retirada, é feita a eletrocoagulação dos vasos sanguíneos para prevenir hemorragias.

Existem diferentes problemas que podem aparecer no sistema reprodutivo feminino, mais especificamente na vulva. Por esse motivo, é muito importante realizar consultas ginecológicas periodicamente, para analisar possíveis distúrbios ainda em fase inicial.

Conheça alguns problemas e suas causas:
Erupções cutâneas e placas sobre a vulva: dermatite de contato, eczema vulvar, infecção, líquen (simples, crônico, escleroso ou plano) e psoríase.

Úlceras na vulva: câncer de vulva, infecções por herpes, úlceras aftosas, sífilis, trauma ou fricção, pênfigo vulgar e penfigoide.

Nódulos, cistos e tumores sobre a vulva: cistos epidérmicos, molusco contagioso, inchaço dos apócrinas e glândulas écrinas, inchaço dos queratinócitos, incluindo cisto de inclusão epidérmica, pós-trauma, inchaço e nódulos que são remanescentes embriológicos, hemangioma e varizes vulvares.

Manchas: toupeiras, cicatrizes, lentigos, sardas, tatuagem, hipertrofia e vitiligo.

Dor vulvar ou vulvodynia: vaginismo, vestibulite vulvodynia e vulvular.